segunda-feira, 30 de março de 2026

I wish I were the wind


I wish I were the wind,
to be totally free.
To sustain the feathered wings,
to blow the leaves from te trees.

I'd hit strong when provoked,
sharp and precise when intended.
I'd deliver changes when needed,
and carry destruction when stressed.

Other times I'd be no more than a breeze,
soft, smooth, almost sweat,
touching lips and cheeks. 

And seamlessly I'd bring the heat,
the cold, the change, the sweap,
as I'd move heaven to beat. 




Escrito originalmente durante internação no Hospital Dia, 30/01/2023
Ilustração gerada por IA (Gemini)

segunda-feira, 23 de março de 2026

What is Life?



What is Life?
Is it a sequence of days,
a light like a flash of rays,
or a struggle, a strife?

Is it a verse of a poem?
A sum of words said,
the sound of words unsaid,
or the time, a passing whim?

Is life the wind's breeze?
The cold chill of winter's kiss,
the fear of a snake's hiss,
or the sound of a child's sneeze?

We live life, we keep it rolling,
Surely not knowing
where we are heading.  





Escrito originalmente durante internação no Hospital Dia, 27/01/2023
Ilustração gerada por IA (Gemini)

domingo, 22 de março de 2026

O sentimento-monstro



Eu sinto...

Se o que eu penso se baseia em sentimentos, e meus sentimentos são baseados em minhas memórias e nas minhas sensações, e se estas são erradas, então o que sinto está errado pois se baseia em uma experiência inexistente ou incorreta. Mas ainda assim o que penso e o que sinto estão dentro de mim e existem, me definem, me alimentam e definem.

Se aquilo que senti num determinado momento, em uma determinada situação é baseado em um incidente que não ocorreu, então toda a premissa que leva à sensação gerada é inválida. Logo, o sentimento resultante é de base inócua e, portanto, o sentimento em si é inválido. 

Esse sentimento gerou todo um fluxo, todo um processo que iniciou e, com a descoberta da falsa premissa inicial, ele não se desfaz. Ele perdura, perdido, querendo sair de alguma forma. Esse sentimento começa a se tornar uma ameaça, um perigo, um monstro que não pode ser contido mas não tem para onde ir. Ele foi calado.

E ele explode. Eclode de uma prisão sem grades, de uma casca aberta. Natimorto, sem destino ou caminho ele começa a se alimentar dos próprios dejetos, das próprias partes que o compunham, tentando ser escutado, tentando ser liberado, tentando não ser mais, mesmo que já seja.

É um quasar que pulsa, brilha e se visto de longe parece se tratar de libertação, mas basta acercar-se um pouco para ver que é a morte de uma estrela. É uma ruptura interna que não se percebe até que ela chega na pele e, somente então, nota-se algo de errado... Mas já é tarde.

Mas no final, tudo o que esse sentimento-monstro queria - antes de se tornar uma monstruosidade, era existir. Provar que a raiva, o rancor, a repulsa, o desdém, o escárnio, o medo, a ânsia, o descaso, ou qualquer mistura destes ou de quaisquer outros sentimentos estavam lá. Tiveram uma existência, mesmo que infundada, mesmo que sem nexo inicial, ele existiu. Ele gerou outros sentimentos e vai influenciar padrões de comportamento futuro.

Existe um grito em cada calar. E um calar em cada grito. Muitas vezes beatificamos o grito que cata e demonizamos o grito que sai, mesmo que ele esteja calando outras coisas. A sensação de sentir-se ameaçado de alguma forma dá automaticamente o direito de quem se sente de tal maneira de devolver a ameaça, mesmo que ela tenha sido meramente sensorial. Mesmo que não haja risco real. E aí, o grito que supostamente agride continua guardando dentro de si brados de dor e desespero que não são ouvidos nem nos ecos mais retumbantes.

Talvez nas entrelinhas de um grito de raiva tenha uma lágrima que não quer sair ou um pedido de um abraço desesperado. Ou ainda uma angústia, um medo ou...


Imagem gerada por IA (Gemini)

segunda-feira, 16 de março de 2026

Deixe-me



Hoje eu não quero sentir
nem calor, nem paz, nem alegria;
nem ansiedade, nem a dor do partir,
mas quero só caminhar pela via.

Não, não quero nem sofrer nem saber,
nem pensar que seria possível ficar,
ou então como não esmaecer,
ou estancar a ferida com sangue a jorrar.

E que tampouco me venham com o amor,
por mais belo ou atraente,
ele sempre traz a dor
mesmo que não intencionalmente.

Deixe-me hoje o dia na cama,
permita-me sonhar ao invés de sentir;
permita-me não ter nem grana nem fama,
e descer tão fundo até não ter mais donde cair.






escrito originalmente durante internação no Hospital Dia, 18/01/2023
Ilustração gerada por IA (Gemini)

segunda-feira, 9 de março de 2026

Cadência



Calculamos os contras e os prós
analisamos meticulosamente
e preparamos nossa mente.
Mas o rio sempre chega a sua foz.

Corremos desatinados
avançando sem destino
sem atentar que, sem ritmo,
a um fim inglório somos destinados.

Mas nem tudo é desilusão,
nem tudo é perda fatal
às vezes, no caminho, saímos da prisão.

às vezes um raio de sol
nos toca sem ilusão
e nos faz renascer imortal.








escrito originalmente durante internação no Hospital Dia, 10/01/2023
Ilustração gerada por IA (Gemini)

segunda-feira, 2 de março de 2026

Reamanhecer



Quisera algum dia entender
os Por ques, Quandos e Comos,
saber a razão de ser como somos,
e retirar o véu do anoitecer.

Reviver cada pedaço da vida - 
cada experiência e sentimento
cada sobro, cada alento,
de cada alma salva ou caída.

Expurgar todo preconceito,
calar toda fúria, todo medo
e perceber o sol nascendo cedo
e retirar de sua luz todo proveito.

Permitir-me amanhecer novamente
Liberar-me, tirar de mim as amarras
destravar os nós, ultrapassar as barras
E nascer de novo ventre, seguir em frente.




escrito originalmente durante internação no Hospital Dia, 09/01/2023
Ilustração gerada por IA (Gemini)