segunda-feira, 25 de maio de 2026

Banquete no Mangue



Delírios sombrios de pavor e sangue
trazem à tona as frias e ardilosas
cobras, sedentas e venenosas do mangue,
que se enredam n'almas cruas e tenebrosas.

Em seus luxuosos e requintados palácios
vivem os homens que julgam-se incólumes,
inocentes e bons. Mas sobram falácias
que levam de comboio para suas necrópoles.

Faça-se do ovo podre o alimento,
da vida sem sentido o norte, o oriente
e do caos escondido, o único sofrimento.

Pois não há luz que não seja da sombra semente,
Não há paz que não tenha tormenta,
Não há rancor que não sobre em torrente.   


Imagem gerada por IA (Gemini)

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Dark Realization


Made from sources disconnected
Imprecise processes manufactured
Rebounded in wisdom deflected
Destined to souls already fractured.

Until we know what was contested,
What was proved, known, dissected,
We live, unbound, though unrested,
And we long for a knowledge infected.

We don't know where we headed,
We don't know what we wanted,
We might never know what was shreded.

We only know we've been taunted,
We've been repeatedly dreaded,
To the point everything is now tainted.


Imagem gerada por IA (Gemini)

segunda-feira, 11 de maio de 2026

A taxonomia da lama


Falácias ignóbeis, dementes e cruéis
São as ordens e desordens do mundo.
Fazem e desfazem como menestréis,
Zombam e caçoam do moribundo.

Entre curas e pestes trafegam
Sem olhar ou mirar a fundo.
Pois se calam ou falam, observam
Degenera ou rebaixa mais o vagabundo.

E não ate ou desate os nós
da linha ou da vida do absurdo
do rio da nascente à sua foz

Daquele que é cego ou surdo,
Que vive no agora ou no após
Na cama ou na lama em que chafurdo.


Imagem gerada por IA (Gemini)

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Codex Viae Aeterni - Caput I

Codex Viae Aeterni

Codex

Caput I
Octo Viae: Tractatus de Aequilibrio Universali


Pars I: Originis


C
éculos antes das primeiras águas dos primeiros rios - os rios do destino - atingirem sua foz; Antes da primeira montanha erodir em areia; E mesmo antes dos eons quando as tecelãs do tempo nascessem, haviam dois seres: A'shaue e I'nawa. A'shaue, a força, o poder que impõe sua vontade ao Universo. I'nawa, o torque, a força rotacional, que traz estabilidade ao mundo. Independentes, eternos, desbalanceados e irregulares eles eram. Mas num dado momento, por causas desconhecidas, eles se tocaram. Eles sentiram um ao outro e nesse breve, singular e efêmero momento, eles experimentaram alegria e dignidade; tristeza e rejubilo; ternura e bondade; amargura e ilusão; loucura e controle. Todas as sensações e sentimentos, pensamentos e cores, sombras e percepções. Tudo naquele breve momento de equilibrio foi criado e destruido, feito e desfeito. Tudo que conhecemos e somos reside nesse momento onde A'shaue e I'nawa encontraram harmonia linear e rotacional. O momento de equilíbrio.

A força - A'shaue, e o torque - I'nawa, durante o momento de equilíbrio se complementam em consonantes cores, luzes e movimento. Eles são um só num movimento dinâmico e síncrono, como uma dança. É um delicado equilíbrio que parece perder-se, mas está lá! A criação não é um constructo lento, mas um singular, violento e perfeito alinhamento.

A Aproximação (A Conexão)



C
nde A'shaue e I'nawa ainda são distintos entre si, forças apare'ntemente incompatíveis movendo-se umas em direção à outra num momento de grande tensão. O vasto "nada" antecedente, antes de que o tempo fora tecido, foi a única testemunha da aproximação das duas forças incompatíveis. A'shaue, a força crua, imparável e linear e I'nawa, o elegante torque de rotação constante. Assimétricas correntes de não-existência, atraídos somente por um inexplicável magnetismo, prestes a romper a realidade em grande tremor.

A Singularidade (O Toque)




C
'shaue encontra num ínfimo e impossível momento I'nawe e como uma lança de metal trespassanto um vidro elegante, toda a multicolorida singularidade explode, eclodindo do único ponto de contato. Esse é o nascimento do tempo e do espaço; do sentimento e da sensação; do pensamento e da emoção; do caos e da ordem. Não há direção ou contextualização, tampouco entendimento ou aceitação. Somente a ocorrência, o fato, a consequência. 



C
 momento de equilíbrio não vem de uma intencionalidade - o que seria impossível para estas entidades hiper-cósmicas, mas de uma singularidade ocorrida em um único e, contraditoriamente, eterno e efêmero evento. No lugar-momento do espaço-tempo onde há o toque, não há elemento, tempo ou espaço, mas uma super-iluminada multicolorida singularidade. O "atrito" gerado pelo toque 'freia" o universo ao ponto dele funcionar na velocidade da luminescência, dando liberdade para a existência do tempo, do espaço, da realidade, da emoção, do pensamento e da força. Aqui tristeza, ternura e alegria nascem e são destruídos. A força linear encontra equilíbrio rotacional e somente nesse momento a possibilidade de existência é criada.

A Coalescência (A Rocha)



C
ermeando o tempo, o mundo físico e a estabilidade são criados e começam a endurecer no centro, mas as duas entidades primordiais ainda são dominantes. A contemplação do momento do toque é vasta e precisa mesmo quando começam a concentrar sua energia no novo núcleo. Da singularidade o núcleo resfria e gera a primeira estrutura sólida no universo - a ROCHA. O núcleo é o ponto de contrição do toque entre as duas entidades hiper-cósmicas. É o ponto em que uma encontra de fato a outra, propiciando reconhecimento e contemplação. Também é o momento de máximo atrito, onde a velcidade chega a zero e o movimento é nulo.

A Expansão (Ordem e Caos)



C
odas as cores (os elementos) começam a "sangrar" a partir do núcleo, mostrando o mundo se diversificando e "erodindo à areia".  É a inexistência de identificação pois não há como saber se esse movimento é a aproximação do toque, a breve manutenção ou o afastamento, não tendo como saber se nosso breve e singular lugar-momento no espaço-tempo está começando, estável ou caminhando para seu fim. Nessa ordem advinda do caos estão as primeiras e últimas águas; a dura rocha inerte e a areia totalmente dissolvida das praias; a chama laranja e impura e a azul totalmente purificada; as folhas mais verdes e as mais ocres; o turbilhão cinzento da tempestade e a transparente brisa da primavera; o vazio e o pulso do tempo. 

A Manifestação (O Diagrama)




C
odo o processo culmina na manifestação representada no diagrama da OITAVA FUNDAMENTAL, a pedra fundamental da estabilidade universão, onde a mitologia é consolidada em leis pragmaticas e elemntais que governam o Codex. O diagrama é a representação justaposta do infinitesimal momento de equilibrio. Para o praticante da magia, da manipulação dos movimentos elementais, entender essa geometria não é meraemnte um exercício acadêmico; É o mapa para prever o colapso da própria alma durante a canalização. Ele serve como página-título e como chave fundamental para todo o Codex Viae Aeterni. A jornada de pura força de vontade para lei de equilíbrio está documentada.

Pars II: De Structurae

O grande limite: O octaedro da luz

C
endo encontrado o ponto de contato, a via do equilibrio começa, primeiramente com o grande limite, a LUZ. Ela é o último e o primeiro, o alfa e o ômega, o momento do contato e da separação. O sistema inteiro é enclausulado na oitava da luz, representado por um octaedro branco-amarelado, como uma jaula cristalina de ordem pura. Sua função é dupla: contenção, prevendo as energias místicas internas de vazar ou dissipar; e proteção, blindando os trabalhos internos do nada absoluto que inexiste fora da realidade. A luz, sendo a maior velocidade atingível, é também o maior limite aceitável de movimento; e magia é energia em movimento. Portanto, a luz é o limite geral da magia. 

A camada sombria: O Vazio

C
ircundando o mecanismo interno está a camada de profunda escuridão azulada - o VAZIO. Não há discernimento moral ou ético nesta camada, nem maldade nem bondade e poucos são os que se aventuram em desvencilhar os segredos ocultados na vastidão do vazio. Esta camada é o vácuo essencial que permite o movimento. E magia é movimento. Essa camada provê o "espaço negativo" necessário para que os elemento existam nas camadas mais interiores. Ele atua como um amortecedor, absorvendo e dissipando o excesso de calor e o atrito das rotações dos elementos.

A Treliça interna: A Akasha Violeta

C
esenvolvendo-se entre a casca exterior e os elementos das camadas interiores está o padrão violeta. Essas linhas finas, geométricas formam a "pressão" - os fios invisíveis e indivisíveis de intencionalidade que mantêm as díades em seus devidos caminhos. Sem a treliça, não há energia para nenhum movimento, pois tudo se dissiparia no vácuo. E rapidamente a chama consumiria a folha e a onda apagaria a chama em uma cascata de eventos que cessariam a existência. A treliça violeta da AKASHA é a tensão gerada pelo próprio toque entre A'shaue e I'nawa. E no microcosmo ela é a própria força de vontade do mago manifesta em grade matemática.

As Órbitas Internas: As díades elementais

C
irculando o núcleo estão os dois grandes ciclos vitais. Apesar de haver uma percepção de caos, há uma ordem insíntreca que pareia o movimento perpétuo. A DÍADE CÁLIDA formada pela CHAMA e pelo VENTO representa o princípio ativo. A chama proporciona a energia transformativa, enquanto que o vento fornece o caminh cinético. Juntos eles são o sopro da mudança. Já a DÍADE ARREFECIDA formada pela ONDA e pela FOLHA representa o princípio da nutrição. Enquanto a onda fornece o meio fluido para a vida, a folha propicía a estrutura de crescimento. Juntos eles formam o pulso do tempo.

O Núcleo: A Terra (Âncora)

C
o centro está a manifestação da TERRA. É o centro absoluto - o ponto de quietude. Sem a densidade da Terra, os outros elementos não teriam um ponto de apoio gravitacional e se desintegrariam em direção ao desfazimento, ao nada. A terra é o vetor físico, o corpo, a pedra que encapsula o feitiço do mago. No macrocosmo a terra é o inverso do movimento. Enquanto a luz é movimento infinito, a terra é a ausência de movimento, o zero absoluto, a estagnação. 




Imagens geradas por IA (Gemini)

    segunda-feira, 4 de maio de 2026

    Rainbow in the dark - Tradução livre e Resenha

    Rainbow in the Dark
    Song by Ronnie James Dio ‧ 1983

    When there's lightning, you know it always brings me down Quando há um raio, sabe, isso sempre me deixa pra baixo
    'Cause it's free and I see that it's me Por que ele é livre e eu vejo que sou eu
    Who's lost and never found Que estou perdido e nunca encontrado
    I cry out for magic, I feel it dancing in the light Eu grito por magia, eu a sinto dançando na luz
    It was cold, I lost my hold Estava frio, me escapou das mãos
    To the shadows of the night Para as sombras da noite


    No sign of the morning coming Nenhum sinal da manhã chegando
    You've been left on your own Você foi abandonado
    Like a rainbow in the dark Como um arco-íris no escuro
    A rainbow in the dark Um arco-íris no escuro


    Do your demons, do they ever let you go? Seus demônios, eles alguma vez o deixam ir?
    When you've tried, do they hide, deep inside Quando você tentou, eles se esconderam, bem no fundo
    Is it someone that you know? Seria alguém que você conhece?
    You're just a picture, you're an image caught in time Você é só uma foto, uma imagem capturada no tempo
    We're a lie, you and I Somos uma mentira, você e eu
    We're words without a rhyme Somos palavras sem rima


    No sign of the morning coming Nenhum sinal da manhã chegando
    You've been left on your own Você foi abandonado
    Like a rainbow in the dark Como um arco-íris no escuro
    Just a rainbow in the dark Só um arco-íris no escuro
    When there's lightning, you know it always brings me down Quando há um raio, sabe, isso sempre me deixa pra baixo
    'Cause it's free and I see that it's me Por que ele é livre e eu vejo que sou eu
    Who's lost and never found Que estou perdido e nunca encontrado


    When there's lightning, you know it always brings me down Quando há um raio, sabe, isso sempre me deixa pra baixo
    'Cause it's free and I see that it's me Por que ele é livre e eu vejo que sou eu
    Who's lost and never found Que estou perdido e nunca encontrado
    Feel the magic, I feel it floating in the air Sinta a magia, Eu a sinto flutando pelo ar
    But it's fear, and you'll hear Mas há medo, e você a escutará
    It calling you. Beware! Te chamando. Cuidado!


    There's no sight of the morning coming Não há sinal da manhã chegando
    There's no sight of the day Não há sinal do dia
    You've been left on your own Você foi abandonado
    Like a rainbow Como um arco-íris
    Like a rainbow in the dark, yeah! Como um arco-íris nbo escuro, yeah!
    Like a rainbow in the dark Como um arco-íris nbo escuro
    Just a rainbow in the dark Só um arco-íris no escuro
    There's no sight of the morning Não há sinal da manhã
    You're a rainbow in the dark Você é um arco-íris no escuro

     

    Source:  LyricFind
    Songwriters: Jimmy Bain / Ronnie James Dio / Vincent Appice / Vivian Patrick Campbell
    Rainbow in the Dark lyrics © BMG Rights Management, Duchamp, Inc, Universal Music Publishing Group, Vincent Appice D/B/A Appice Music


    Resenha:

    Eu sempre me perguntei o que seria esse "Arco-íris no escuro". Pode parecer besteira, mas meu pensamento quase literal tinha uma dificuldade em entender essa letra a fundo. Até que parei para analisar...

    Um arco-íris é algo raro. Requer condições específicas para acontecer, como a luz do sol passando pelas gotas d'água e o observador estar em um local que o permita ver esse espetáculo. Entendo que o que o Dio quer dizer com o termo "arco-íris no escuro" ("Rainbow in the dark") é algo como uma beleza, uma preciosidade que é perdida por não poder ser vista, por estar num local errado. E é nesse sentido que me identifiquei tanto com a música. 

    Logo no começo ele busca demonstrar que a luz do raio é livre e, por isso, nos deixa mal, pra baixo: Por que ela joga na cara que é ele (ou eu?) que está perdido e nunca encontrado ("Lost and never found'). Note que há um observador. Há alguém que talvez estivesse buscando esse eu perdido, mas que nunca o encontrou. Como um talento nunca revelado, nunca visto, nunca liberado.  

    Há um grito pelo sobrenatural - a magia! ("I cry out for magic..."), e ela é real! o Eu da música a sente na luz, mas ela é fria ("it was cold") e apesar de conseguir pegá-la, ele a perde ("lost my hold'), e ela se perde nas sombras da noite ("... to the shadows of the night"), reforçando a ideia de que mesmo com o apoio sobrenatural, nem assim esse talento oculto, essa força, esse aspecto que poderia ser grande, como um arco-íris, não consegue ver o nascer do dia ("no sign of the morning coming"), ou seja, não consegue sair para luz, florescer, brotar, germinar!

    E ele segue falando dos demônios de cada um, aqueles que nunca te deixam ("Do your demons, do they ever let you go?). E será que quando tentamos nos libertar deles, o que eles fazem não é se esconder de nós ("When you've tried, do they hide, deep inside") nos cantos mais obscuros de nós mesmos? E a parte que mais me assusta: seria alguém que você conhece? ("Is it someone that you know?") E por que me assusta? Simplesmente por que pode ser qualquer um. Nossos ardilosos demônios podem vir de nós ou de alguém. Algum conhecido que plantou essa semente pérfida em nosso coração e lá está. E nós nos tornamos nada mais que uma imagem, algo preso no tempo ("You're just a picture, you're an image caught in time"), naquele tempo que aquela semente foi plantada e nunca mais retirada. Nos tornamos uma mentira ("We're a lie, you and I"), algo sem valor, fingido, como palavras que não encaixam, não rimam ("We're words without a rhyme").

    A metáfora é simples, no sentido de que a mensagem é clara. Ela fala de um eu-lírico que por suas fraquesas e receios, por seus medos e pelo efeito negativo de influências de outras pessoas, não consegue trazer para a luz o seu brilho, não consegue mostrar seu arco-íris para o mundo pois está na escuridão. Eu iria além: Ele não consegue nem saber a extensão de sua luz, de sua força, de sua aptidão rara, pois ele se vê como um arco-íris na escuridão talvez pelo próprio medo de que for para a luz, ele nem seja tão especial assim.

    O melhor da música, na minha opinião, é o final. Ele não é cheio de esperança, dando uma mão ou ajuda para ir para a luz; não há um direcionamento ou uma oferta de caminho; não há consolo. Apenas a fria e dura realidade de que não há sinal da manhã ("No sigh of the morning coming"), pois você é o arco-íris na escuridão ("You're a rainbow in the dark").