Pars I: Originis

éculos antes das primeiras águas dos primeiros rios - os rios do destino
- atingirem sua foz; Antes da primeira montanha erodir em areia; E mesmo
antes dos eons quando as tecelãs do tempo nascessem, haviam dois seres:
A'shaue e I'nawa. A'shaue, a força, o poder que impõe sua
vontade ao Universo. I'nawa, o torque, a força rotacional, que traz
estabilidade ao mundo. Independentes, eternos, desbalanceados e
irregulares eles eram. Mas num dado momento, por causas desconhecidas,
eles se tocaram. Eles sentiram um ao outro e nesse breve, singular e
efêmero momento, eles experimentaram alegria e dignidade; tristeza e
rejubilo; ternura e bondade; amargura e ilusão; loucura e controle.
Todas as sensações e sentimentos, pensamentos e cores, sombras e
percepções. Tudo naquele breve momento de equilibrio foi criado e
destruido, feito e desfeito. Tudo que conhecemos e somos reside nesse
momento onde A'shaue e I'nawa encontraram harmonia linear e rotacional.
O momento de equilíbrio.
A força - A'shaue, e o torque - I'nawa, durante o momento de equilíbrio
se complementam em consonantes cores, luzes e movimento. Eles são um só
num movimento dinâmico e síncrono, como uma dança. É um delicado
equilíbrio que parece perder-se, mas está lá! A criação não é um
constructo lento, mas um singular, violento e perfeito alinhamento.
A Aproximação (A Conexão)

nde A'shaue e I'nawa ainda são distintos entre si, forças
apare'ntemente incompatíveis movendo-se umas em direção à outra
num momento de grande tensão. O vasto "nada" antecedente, antes de
que o tempo fora tecido, foi a única testemunha da aproximação das
duas forças incompatíveis. A'shaue, a força crua, imparável e
linear e I'nawa, o elegante torque de rotação constante.
Assimétricas correntes de não-existência, atraídos somente por um
inexplicável magnetismo, prestes a romper a realidade em grande
tremor.
A Singularidade (O Toque)

'shaue encontra num ínfimo e impossível momento I'nawe e como uma
lança de metal trespassanto um vidro elegante, toda a multicolorida
singularidade explode, eclodindo do único ponto de contato. Esse é o
nascimento do tempo e do espaço; do sentimento e da sensação; do
pensamento e da emoção; do caos e da ordem. Não há direção ou
contextualização, tampouco entendimento ou aceitação. Somente a
ocorrência, o fato, a consequência.

momento de equilíbrio não vem de uma intencionalidade - o que
seria impossível para estas entidades hiper-cósmicas, mas de uma
singularidade ocorrida em um único e, contraditoriamente, eterno e
efêmero evento. No lugar-momento do espaço-tempo onde há o toque,
não há elemento, tempo ou espaço, mas uma super-iluminada
multicolorida singularidade. O "atrito" gerado pelo toque 'freia" o
universo ao ponto dele funcionar na velocidade da luminescência,
dando liberdade para a existência do tempo, do espaço, da realidade,
da emoção, do pensamento e da força. Aqui tristeza, ternura e
alegria nascem e são destruídos. A força linear encontra equilíbrio
rotacional e somente nesse momento a possibilidade de existência é
criada.
A Coalescência (A Rocha)
ermeando o tempo, o mundo físico e a estabilidade são criados e
começam a endurecer no centro, mas as duas entidades primordiais ainda
são dominantes. A contemplação do momento do toque é vasta e precisa
mesmo quando começam a concentrar sua energia no novo núcleo. Da
singularidade o núcleo resfria e gera a primeira estrutura sólida no
universo - a ROCHA. O núcleo é o ponto de contrição do toque
entre as duas entidades hiper-cósmicas. É o ponto em que uma encontra
de fato a outra, propiciando reconhecimento e contemplação. Também é o
momento de máximo atrito, onde a velcidade chega a zero e o movimento
é nulo.
A Expansão (Ordem e Caos)

odas as cores (os elementos) começam a "sangrar" a partir do
núcleo, mostrando o mundo se diversificando e "erodindo à
areia". É a inexistência de identificação pois não há como
saber se esse movimento é a aproximação do toque, a breve
manutenção ou o afastamento, não tendo como saber se nosso breve e singular
lugar-momento no espaço-tempo está começando, estável ou
caminhando para seu fim. Nessa ordem advinda do caos estão as
primeiras e últimas águas; a dura rocha inerte e a areia
totalmente dissolvida das praias; a chama laranja e impura e a
azul totalmente purificada; as folhas mais verdes e as mais ocres;
o turbilhão cinzento da tempestade e a transparente brisa da
primavera; o vazio e o pulso do tempo.
A Manifestação (O Diagrama)
odo o processo culmina na manifestação representada no diagrama da
OITAVA FUNDAMENTAL, a pedra fundamental da estabilidade
universão, onde a mitologia é consolidada em leis pragmaticas e
elemntais que governam o Codex. O diagrama é a representação
justaposta do infinitesimal momento de equilibrio. Para o praticante
da magia, da manipulação dos movimentos elementais, entender essa
geometria não é meraemnte um exercício acadêmico; É o mapa para prever
o colapso da própria alma durante a canalização. Ele serve como
página-título e como chave fundamental para todo o
Codex Viae Aeterni. A jornada de pura força de vontade para lei
de equilíbrio está documentada.
Pars II: De Structurae
O grande limite: O octaedro da luz

endo encontrado o ponto de contato, a via do equilibrio começa,
primeiramente com o grande limite, a LUZ. Ela é o último e o
primeiro, o alfa e o ômega, o momento do contato e da separação. O
sistema inteiro é enclausulado na oitava da luz, representado por um
octaedro branco-amarelado, como uma jaula cristalina de ordem pura.
Sua função é dupla: contenção, prevendo as energias místicas
internas de vazar ou dissipar; e proteção, blindando os trabalhos
internos do nada absoluto que inexiste fora da realidade. A luz,
sendo a maior velocidade atingível, é também o maior limite
aceitável de movimento; e magia é energia em movimento. Portanto, a
luz é o limite geral da magia.
A camada sombria: O Vazio

ircundando o mecanismo interno está a camada de profunda escuridão azulada - o VAZIO. Não há discernimento
moral ou ético nesta camada, nem maldade nem bondade e poucos são os que
se aventuram em desvencilhar os segredos ocultados na vastidão do vazio.
Esta camada é o vácuo essencial que permite o movimento. E magia é
movimento. Essa camada provê o "espaço negativo" necessário para que os
elemento existam nas camadas mais interiores. Ele atua como um
amortecedor, absorvendo e dissipando o excesso de calor e o atrito das
rotações dos elementos.
A Treliça interna: A Akasha Violeta

esenvolvendo-se entre a casca exterior e os elementos das camadas
interiores está o padrão violeta. Essas linhas finas, geométricas
formam a "pressão" - os fios invisíveis e indivisíveis de
intencionalidade que mantêm as díades em seus devidos caminhos. Sem a
treliça, não há energia para nenhum movimento, pois tudo se dissiparia
no vácuo. E rapidamente a chama consumiria a folha e a onda apagaria a
chama em uma cascata de eventos que cessariam a existência. A treliça
violeta da AKASHA é a tensão gerada pelo próprio toque
entre A'shaue e I'nawa. E no microcosmo ela é a própria força de
vontade do mago manifesta em grade matemática.
As Órbitas Internas: As díades elementais

irculando o núcleo estão os dois grandes ciclos vitais. Apesar de
haver uma percepção de caos, há uma ordem insíntreca que pareia o
movimento perpétuo. A DÍADE CÁLIDA formada pela
CHAMA e pelo VENTO representa o princípio
ativo. A chama proporciona a energia transformativa, enquanto que o
vento fornece o caminh cinético. Juntos eles são o sopro da mudança.
Já a DÍADE ARREFECIDA formada pela ONDA e
pela FOLHA representa o princípio da nutrição. Enquanto
a onda fornece o meio fluido para a vida, a folha propicía a
estrutura de crescimento. Juntos eles formam o pulso do tempo.
O Núcleo: A Terra (Âncora)

o centro está a manifestação da TERRA. É o centro
absoluto - o ponto de quietude. Sem a densidade da Terra, os
outros elementos não teriam um ponto de apoio gravitacional e se
desintegrariam em direção ao desfazimento, ao nada. A terra é o
vetor físico, o corpo, a pedra que encapsula o feitiço do mago.
No macrocosmo a terra é o inverso do movimento. Enquanto a luz é
movimento infinito, a terra é a ausência de movimento, o zero
absoluto, a estagnação.






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