quarta-feira, 29 de abril de 2026

Deixar de existir

Às vezes eu desejo não existir.
Não, não desejo simplesmente morrer, 
apesar dessa ideia também apetecer.
Mas não... não é sobre partir.

Não. Não é disso que eu estou falando. Eu me refiro a algo mais profundo. Cessar a dor sim, mas principalmente cessar a sensação de estar errado, de ser um fardo, de não entender, de não me entender, de não te entender, de não saber viver.

Essa existência que parece inútil... Não! Que É inútil. E tudo sempre dói. Uma dor intensa, corrosiva, que faz a luta ser sempre inglória, desgastante, degenerante. E ela, a dor, companheira constante, nunca some. 

Tudo parte, tudo abandona,
Exceto a dor, essa vil degenerada,
Essa companheira insana,
Que fica e machuca, quando não há mais nada.

Quando todos os sentimentos parecem errados, deslocados, só a apatia, a falta de vontade, persiste. Apatia a tudo, até mesmo à dor que ficou... Não, ela não cessa, mas perde seu sentido. A ausência de tudo, é verdadeira companheira. Ela e meu cigarro. Sempre aqui. 

A apatia é uma forma de defesa, eu sei. Quando não há emoção confiável, quando não há coerência na vida, quando a morte não vem para terminar com essa brincadeira de mau gosto - a vida, nossa mente nos protege dizendo para si mesma que ela não está errada e sim o mundo. E se vivemos num mundo errado, então para que se importar?

Como pode?
Algo tão supervalorizado como a vida
nos fazer de escravos, de joguete, como pode?
seguirmos existindo é uma piada.

Depois de viver desilusão, traição, descrença, perfídia, enganos, tragédia, vergonha, desavença, crise, etc, etc, etc, não parece que investir em alguma emoção seja válido. E se o mundo é feito de podridão, para que seguir existindo?

É nesse sentido que deixar de existir parece uma boa ideia. Não é original, eu sei, e pode parecer cruel, mesquinha, vil. Mas também parece ser uma ideia pragmática e até medicinal. Ao invés de lutar indefinidamente tentando tirar a doença do hospedeiro, mata-se o ambiente da doença, o próprio hospedeiro!

Se sempre a mosca retorna para  o lixo - seu alimento, retiremos o alimento e não há mais mosca!

Combinemos o seguinte:
Desisto!
Desisto de tudo. 
Sempre que tento acertar,
mais errar eu faço.

Sempre que tento viver, me libertar,
mais percebo que sou escravo,
menos de mim consigo liberar.
Sou a sobra, a linha sem relevo.

Discussões que geram abandono, mágoas que geram abandono, descobertas que geram mais e mais abandono. Se entender é somente saber que existe um motivo pelo qual o ridículo se abriga em você. Só. De descobrir é perceber que existe sim uma explicação, mas ela não importa pois é com você! Você sabe que nada que faça será entendido, compreendido, aceito ou escutado. Nada. E quando há o confronto, abandono; quando há a tentativa, abandono; quando há nova prática, ideia ou aceno,

ABANDONO,
ABANDONo,
ABANDOn ,
ABANDo ,
ABANd ,
ABAn ,
ABa ,
Ab ,
a
.

Mas se o abandono é a única saída, qual o sentido da existência em si?

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Incômoda e traiçoeira



Por que escrever se não há leitor?
Por que falar se ninguém escuta?
E pra que viver se só há a dor?
Pra que seguir nessa luta?

Inglória, nefasta, abjeta e barata,
a vida "não espera" você compor!
Ela não bate na porta, não tem data.
Ela vem sem ativar nenhum sensor.

Incômoda e traiçoeira, ela destrói,
arranha, desbaratina, desatina e,
sem nenhuma delicadeza, corrói.

Ela invade tudo, destrói, mina e,
mata a tudo, inclusive o herói.
E, ao final, no fim de tudo, te elimina e...

Imagem gerada por IA (Gemini)

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Vigilia de Memoria y Polvo


Cambiemos un poquito la perspectiva,
e imaginemos por un rato que no seas actor,
sino el escenario por alternativa,
por detrás de todo, como un vector.

Verías el tiempo, sin pesar, pasar e passar.
No sentirías, pero igual te transformarías.
Sea interacción, por la gente a atravesar,
sea por el polvo, por años, meses o días.

Sabrías, de cierto, de nada y de todo un poco.
Aunque sin conciencia, guardarías las marcas,
las nuevas y viejas, de sano y de loco.

No identificarías ni comarcas ni monarcas,
pero de cada uno tendrías algo en foco:
del uso y del tiempo, sus marcas y contramarcas.

Imágen creada por IA (Gemini)

Curiosidad:

Los "fantasmas" en la imágen representan algunas obras de teatro:
  1. Hamlet (William Shakespeare): El fantasma sobre el taburete, sosteniendo una calavera. Representa el teatro isabelino (inglés/estadounidense). Esta es la imagen icónica de la literatura universal que simboliza la mortalidad y la duda existencial;

  2. Don Quijote (Miguel de Cervantes): La figura sobre el caballo fantasmal (Rocinante) con la lanza. Aunque es una novela, la figura de Don Quijote ha sido adaptada al teatro innumerables veces, incluyendo musicales. Representa la tradición literaria española y la lucha por los ideales;

  3. La vida es sueño (Pedro Calderón de la Barca): El fragmento de escena a la derecha que muestra a Segismundo en cadenas. Representa el "Siglo de Oro" del teatro español. La obra explora la libertad, el destino y la naturaleza de la realidad (si "la vida es sueño");

  4. O Auto da Compadecida (Ariano Suassuna): Las dos figuras rústicas y pícaras que flotan más arriba en el centro. Representan el teatro popular brasileño y portugués. Estos personajes son João Grilo y Chicó, figuras arquetípicas que usan su ingenio para sobrevivir, muy conocidos en Brasil y Portugal.

  5. The Phantom of the Opera (Gaston Leroux / Andrew Lloyd Webber): La figura con la máscara a la izquierda. Representa el teatro musical moderno estadounidense/inglés (Broadway/West End). Es el fantasma por excelencia del teatro, un alma atormentada que vive entre las sombras del escenario;

  6. West Side Story (Musical - Varios autores, incluyendo Leonard Bernstein): La pareja de baile flotando sobre el taburete. Representa el musical moderno de Broadway (EE.UU.) y su gran impacto en audiencias colombianas e internacionales. Simboliza el amor, el conflicto y la juventud, elementos que el escenario "recuerda".

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Lista de livros I

Segue uma lista de livros interessante da @claradaluzdomar


A lista de livros é essa:
  • A carne dos anjos, Siobhan Dowd
  • 10 minutos e 38 segundos neste mundo estranho, Elif Shafak
  • Mau hábito, Alana S. Portero
  • A metamorfose, Franz Kafka
  • Migrações, Charlotte McConaghy
  • Como nascem os fantasmas, Verena Cavalcante
  • O processo, Franz Kafka
  • Amada, Toni Morrison
  • Pão de açúcar, Afonso Reis Cabral
  • Ensaio sobre a cegueira, José Saramago
  • A era imoral, Deepti Kapoor
  • O grande caderno, Ágota Kristóf
  • Limpa, Alia Trabucco Zerán
  • O pássaro secreto, Marília Arnaud]Temporada de furacões, Fernanda Melchor
Dos quais eu só li:
  • A metamorfose, Franz Kafka;
  • O processo, Franz Kafka;
  • Ensaio sobre a cegueira, José Saramago
Até o momento.... Vou me atualizar... :)

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Deriva do Pensamento



A mente que vaga por ficções,
sempre viajando por irrealidades,
por surreais anormalidades
que se reviram em novas versões.

Do caos ao abstrato,
no incoerente e incerto,
no espaço ou no perto,
o sempre incompleto retrato.

Visões com lente difusa
em razão ou emoção
Em paisagem obtusa,

Revelam na distração
de pensamento e razão obscura,
A mente em constante recriação.


Imagem criada por IA (Gemini)

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Hoje eu só queria chorar



Hoje eu só queria chorar
Deixar sair em forma de lágrimas
Toda frustração e lástimas
Abraçar a dor e agarrar

Verter copiosos prantos
Desse líquido doce e salgado 
Espremer dos olhos os cantos
E sem vergonha soltar meu alago 

Deixar sair em forma líquida 
Parte do cansaço e insuficiência 
Que abraça minha alma iníqua

Até recuperar a persistência 
Até que minha jornada oblíqua
Possa seguir sua reticência.


Imagem gerada por IA (Gemini)