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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Vergonha e Culpa


Culpa e vergonha vão de mãos dadas.
Como irmãs inseparáveis desenham
no corpo na mente, na alma drenadas
em sofrimento e dor avançam.

Consomem juntas, dividindo a pilhagem,
arrasando e devastando o ser,
corroendo a cada passo a linhagem,
extraindo a bondade, a quem possa ver.

Mas não extraem a vicissitude, o mal.
Apenas corroem qualquer bondade,
deixando no corpo apenas o que é mau.

Extraindo qualquer laço de lealdade,
matando por dentro, quebrando o cristal,
definhando qualquer dignidade.

Imagem gerada por IA (Gemini)

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Heróis


Meus heróis não nasceram, foram forjados
de luta em luta, de labuta em labuta,
como sardinhas estocados, empilhados
num transporte público em sina fajuta.

Com olhos cansados, sem sossego
barriga de chopp e sorriso maroto,
Dividem a vida em mais de um emprego,
e dormem pouco desde garoto.

Não lutam com capa e espada,
Não têm muito dinheiro, ou fama
Mas têm sua sina na pele marcada

Respiram e se alimentam de lama,
Andam, ajoelham, rastejam na jornada
E como prêmio recebem a cama.

Imagem gerada por IA (Gemini)



segunda-feira, 20 de julho de 2026

O Fio


Nascemos nus e somos postos nessa dança
Com um tapa na bunda postos a chorar
E não adianta estapear, reclamar ou orar,
Pois Ariadne nenhuma nos teceu a esperança.

Inseridos num labirinto maldito,
Tresloucados, fugindo constantemente,
Do Minotauro e seu urro tremente,
Sem encontrar nunca o fio bendito.

E nos dizemos de pó, Cristo, molde e barro,
Buscando uma esperança fantasiosa,
Em uma fé rasa, com fios emaranhados

E seguimos uma trilha capciosa,
Fugindo do monstro, do medo, do malho,
Na vontade de deusas caprichosas.

Imagem gerada por IA (Gemini)

segunda-feira, 22 de junho de 2026

O Terceiro Elemento



Ao chegar com sua pedra ao topo,
Sísifo a vê rolar morro abaixo.
E ele se vê sem vão, sem escopo,
voltando, descendo cabisbaixo.

Mas eu me pergunto curioso:
Quem derruba a pedra fatídica?
Quem poderia ser tão caprichoso
de impedir a destinação mística?

Seria você ou eu capaz dessa derrocada?
Seríamos nós culpados dessa artimanha?
E se sim, como explicar essa patada?

Mais fácil dizer que nessa lambança
Não temos sina, culpa ou cartada
E sim o destino que ao léo se lança.

Créditos da Imagem: Creative Market

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Sacrifícios hediondos à luz do dia


Sacrifícios hediondos à luz do dia
revelam a nobreza das dores,
a vida e a morte sem cores,
os arredores de uma vida vadia.

Levados pela minhoca de metal,
embalados com odores nauseantes,
com sonhos cansados, estenuantes,
em uma penúria sensorial.

À noite se cala em asco, em prantos,
Espera com a barriga cheia e a alma vazia,
Por um confortante abrigo ou recanto,

Escondendo de dentro a dor, a azia,
Mas desfazendo-se a cada minuto entretanto,
Sem desconsiderar a morte, a primazia.

Créditos da Imagem: Diário do Rio

segunda-feira, 8 de junho de 2026

A Virtude do Desgraçado


A sorte perene do desgraçado
É a virtude o sofrimento, 
É dos amores entrelaçados,
O pecado do momento.

A escória profunda do mar de dor
e a solene mistura sem alento
que das profundezas do torpor
compõe o vil pensamento.

E nem de todo o mal vive o homem,
nem só da vicissitude ou do fel,
nem do fim rotundo de ontem.

Do compromisso é o símbolo, o anel,
que ilustra com sólida passagem
o que nem cantar pode o menestrel.


Imagem gerada por IA (Gemini)

segunda-feira, 11 de maio de 2026

A taxonomia da lama


Falácias ignóbeis, dementes e cruéis
São as ordens e desordens do mundo.
Fazem e desfazem como menestréis,
Zombam e caçoam do moribundo.

Entre curas e pestes trafegam
Sem olhar ou mirar a fundo.
Pois se calam ou falam, observam
Degenera ou rebaixa mais o vagabundo.

E não ate ou desate os nós
da linha ou da vida do absurdo
do rio da nascente à sua foz

Daquele que é cego ou surdo,
Que vive no agora ou no após
Na cama ou na lama em que chafurdo.


Imagem gerada por IA (Gemini)

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Incômoda e traiçoeira



Por que escrever se não há leitor?
Por que falar se ninguém escuta?
E pra que viver se só há a dor?
Pra que seguir nessa luta?

Inglória, nefasta, abjeta e barata,
a vida "não espera" você compor!
Ela não bate na porta, não tem data.
Ela vem sem ativar nenhum sensor.

Incômoda e traiçoeira, ela destrói,
arranha, desbaratina, desatina e,
sem nenhuma delicadeza, corrói.

Ela invade tudo, destrói, mina e,
mata a tudo, inclusive o herói.
E, ao final, no fim de tudo, te elimina e...

Imagem gerada por IA (Gemini)

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Hoje eu só queria chorar



Hoje eu só queria chorar
Deixar sair em forma de lágrimas
Toda frustração e lástimas
Abraçar a dor e agarrar

Verter copiosos prantos
Desse líquido doce e salgado 
Espremer dos olhos os cantos
E sem vergonha soltar meu alago 

Deixar sair em forma líquida 
Parte do cansaço e insuficiência 
Que abraça minha alma iníqua

Até recuperar a persistência 
Até que minha jornada oblíqua
Possa seguir sua reticência.


Imagem gerada por IA (Gemini)

segunda-feira, 16 de março de 2026

Deixe-me



Hoje eu não quero sentir
nem calor, nem paz, nem alegria;
nem ansiedade, nem a dor do partir,
mas quero só caminhar pela via.

Não, não quero nem sofrer nem saber,
nem pensar que seria possível ficar,
ou então como não esmaecer,
ou estancar a ferida com sangue a jorrar.

E que tampouco me venham com o amor,
por mais belo ou atraente,
ele sempre traz a dor
mesmo que não intencionalmente.

Deixe-me hoje o dia na cama,
permita-me sonhar ao invés de sentir;
permita-me não ter nem grana nem fama,
e descer tão fundo até não ter mais donde cair.






escrito originalmente durante internação no Hospital Dia, 18/01/2023
Ilustração gerada por IA (Gemini)

segunda-feira, 9 de março de 2026

Cadência



Calculamos os contras e os prós
analisamos meticulosamente
e preparamos nossa mente.
Mas o rio sempre chega a sua foz.

Corremos desatinados
avançando sem destino
sem atentar que, sem ritmo,
a um fim inglório somos destinados.

Mas nem tudo é desilusão,
nem tudo é perda fatal
às vezes, no caminho, saímos da prisão.

às vezes um raio de sol
nos toca sem ilusão
e nos faz renascer imortal.








escrito originalmente durante internação no Hospital Dia, 10/01/2023
Ilustração gerada por IA (Gemini)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Comboio desconexo (O Inventário das Sombras Vivas parte 1)

Nada faz sentido.
Vivemos e morremos,
sentimos, fazemos, sorrimos e sofremos,

passamos inertes, empurrados
por uma torrente de tempo
que chamamos vida
sem nos aceitarmos ou compreender-nos.

E assim vamos todos para alguma direção.
Para algum lugar sem nexo,
num comboio desconexo,
sem vontade e sem ilusão.

E no fim, padecemos
sem memória, sem promessa
numa simples remessa.

Partimos e nos desfazemos,
cessamos nossa existência como começamos,
sem nenhuma "força divina",
sem lugar à mesa, sem sentido.

Nos deixamos criar e também
nos deixamos levar ao além,
e a tudo isso somente dizemos "Amém!"

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Simple Gratitud


I wish that, for one moment at least
I could be a part of your sight.
That I could enter your soul through your eyes, 
That I could read... no, share your thoughts, 
Be one with your spirit. 

Achieve an epiphany, a single, eternal moment of truth.
Converge our singularitieas and become one.

This single being would be more than the some of both of us. 
It'd b ressemble all of our best and worst moments. 
It would be angelical and demonic, rise and fall.

In this moments I realize we are alread bound.
We already share everything and more, we share a life.
And the wish turns into a feeling of Gratitud. 

Eternal and simple gratitud.




escrito originalmente durante internação no Hospital Dia, 22/11/2022

domingo, 4 de janeiro de 2026

Quisera conseguir dizer-te



Quisera conseguir dizer-te
O quanto você é para mim
O quanto te admiro, e mover-te
Mesmo que um pouquinho assim

Impressionar-te? Não somente.
Amolecer teu coração,
Imprimir em sua alma valente
Um pouco mais de emoção.

Mostrar-te que sou teu, 
Entregar-me, avivar-me, viver-te
Sacrificar-me a ti como Prometeu

E, no fim, se tu me permitires, 
Estar ao teu lado, olhando-te, 
Querendo-te, notando-te.



Créditos da imagem: cottonbro studio
escrito originalmente durante internação no Hospital Dia, 22/11/2022

terça-feira, 30 de maio de 2023

Queria ser

 Às vezes eu penso que gostaria de ser outra pessoa. Outro alguém, outro ser, outra sorte de coisa, outro tipo qualquer. Não um super herói, nem um vilão, não um lutador ou um rock star. Somente outro alguém que não fosse eu. Alguém que não tivesse nascido com essas coisas todas dentro de mim. Um outro, com outras... coisas. Queria não sentir tanto, não fazer tanta besteira, não esbarrar tanto nas coisas, não parar antes de concluir, não deixar de começar aquilo que nem sei se seria melhor ou pior. Somente... outra pessoa.

Queria não ter nascido assim, não ter me tornado assaz, não ter deixado que a vida fizesse tudo o que fez de mim. Queria não ter deixado de notar tanta coisa, queria não ter guardado tanta coisa dentro e não ter deixado tantas outras sair.

Queria não ser tão ansioso também. Queria que a angústia de coisas que nem sem onde estão ou como são não me consumisse vez que outra. Queria também que a solidão não se apresentasse como a sereia, que a obrigação não fosse enfadonha como o arrastar moroso da lesma, e que a esperança fosse mais "ouro" e menos "tolo".

Ah, também ia ser tão legal não ser tão facilmente "frustrável", repetidamente "traível", jocosamente "risível" e ridiculamente "caçoavel". Quisera não ser uma piada. e também que eu não me sentisse como uma. Queria conseguir me levar a sério. Queria que o que creio fosse realidade, queria tocar a eternidade, vislumbrar o infinito, olhar para o abismo do Frederico e ver mais que ele olhando de volta para mim.

Também queria que comida não fosse tão saborosa. Tá... não queria não... comer é bom. Mas podia não ser tão atraente, né... Acho que queria poder apreciar o mundo sem vergonha, queria conseguir controlar meus gastos e poupar. Queria não me viciar tão facilmente, não me apegar tão facilmente e não amar tão profundamente. Não. Essa parte também não é verdade. Eu gosto de amar como amo.

Acho que o que eu gostaria mesmo era de não ser tão quebrado. Queria que nenhum anjo safado de nenhum Chico tivesse vindo cruzar meu caminho. Queria não transpirar tanto. Não passar mal com bebida e poder comer o que eu quisesse. Também gostaria de não me cobrar tanto. Às vezes compito com meus credores para ver quem me cobra mais e eles não chegam nem perto. Nos 300 últimos campeonatos só teve uma vez que alguém quase empatou e foi meu contador quando precisei completar os documentos para abrir minha empresa. Tenho os e-mails guardados até hoje...

Mas, enfim... queria não ser esse monte de coisas. E queria ser tantas outras, mas tantas que talvez por isso tem esse monte de tranqueiras em mim.   

terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

Vidas


Vidas que se cercam
vidas que alegram,
vidas que passam
vidas que por nós transitam,
Vidas!

Vidas que supõem,
vidas que compõem,
vidas que opõem
vidas que sobrepõem,
Vidas!

Vidas vívidas
que cruzam nossa estrada,
que emocionam e energizam,
que valem a pena ser vividas.

De todas e para todas as vidas
que passam por nossa vida
a eterna gratidão
por essa jornada vivida.

Créditos da imagem: Morning Laziness
Escrito originalmente em 20/01/2023