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segunda-feira, 13 de julho de 2026

É Copa do Mundo!


É Copa do Mundo! 
Mas a guerra continua,
O ódio se perpetua, 
E fede o corpo moribundo. 

É a Copa é a copa! 
Mas a pobreza segue,
E a dor nos persegue, 
E ainda avança a tropa. 

É a paixão da torcida!
É o trabalho infantil,
É o perverso, o doentio,
É o fim, o enterro a partida. 

É a festa do campeão! 
É a fome, a dor, a doença, 
É a descrença, solidão, desavença, 
São os sonhos jogados no chão.

Imagem gerada por IA (Gemini).

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Sacrifícios hediondos à luz do dia


Sacrifícios hediondos à luz do dia
revelam a nobreza das dores,
a vida e a morte sem cores,
os arredores de uma vida vadia.

Levados pela minhoca de metal,
embalados com odores nauseantes,
com sonhos cansados, estenuantes,
em uma penúria sensorial.

À noite se cala em asco, em prantos,
Espera com a barriga cheia e a alma vazia,
Por um confortante abrigo ou recanto,

Escondendo de dentro a dor, a azia,
Mas desfazendo-se a cada minuto entretanto,
Sem desconsiderar a morte, a primazia.

Créditos da Imagem: Diário do Rio

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Banquete no Mangue



Delírios sombrios de pavor e sangue
trazem à tona as frias e ardilosas
cobras, sedentas e venenosas do mangue,
que se enredam n'almas cruas e tenebrosas.

Em seus luxuosos e requintados palácios
vivem os homens que julgam-se incólumes,
inocentes e bons. Mas sobram falácias
que levam de comboio para suas necrópoles.

Faça-se do ovo podre o alimento,
da vida sem sentido o norte, o oriente
e do caos escondido, o único sofrimento.

Pois não há luz que não seja da sombra semente,
Não há paz que não tenha tormenta,
Não há rancor que não sobre em torrente.   


Imagem gerada por IA (Gemini)

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Trajetos incertos



 São tranquilos os trajetos que se passa
sem notar margens, lados ou calçadas.
Porém, basta olhar mais aguçado,
para calma tornar-se descompasso.

É tragédia de carne, fel e sangue
o que faz da estrada rua e asfalto.
E riqueza alguma faz-se falta
Onde pisa e transita essa gangue.

Mas esperto é quem tem paz no assalto,
quem de pé não se cansa, dissimula
e se sai sem um passo nem ressalto.

Pois o mundo só gira e não emula
e tranquilo só quem fica exausto,
para, queima e morre sobre a mula.


Crédito da foto: Kaique Rocha