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segunda-feira, 4 de maio de 2026

Rainbow in the dark - Tradução livre e Resenha

Rainbow in the Dark
Song by Ronnie James Dio ‧ 1983

When there's lightning, you know it always brings me down Quando há um raio, sabe, isso sempre me deixa pra baixo
'Cause it's free and I see that it's me Por que ele é livre e eu vejo que sou eu
Who's lost and never found Que estou perdido e nunca encontrado
I cry out for magic, I feel it dancing in the light Eu grito por magia, eu a sinto dançando na luz
It was cold, I lost my hold Estava frio, me escapou das mãos
To the shadows of the night Para as sombras da noite


No sign of the morning coming Nenhum sinal da manhã chegando
You've been left on your own Você foi abandonado
Like a rainbow in the dark Como um arco-íris no escuro
A rainbow in the dark Um arco-íris no escuro


Do your demons, do they ever let you go? Seus demônios, eles alguma vez o deixam ir?
When you've tried, do they hide, deep inside Quando você tentou, eles se esconderam, bem no fundo
Is it someone that you know? Seria alguém que você conhece?
You're just a picture, you're an image caught in time Você é só uma foto, uma imagem capturada no tempo
We're a lie, you and I Somos uma mentira, você e eu
We're words without a rhyme Somos palavras sem rima


No sign of the morning coming Nenhum sinal da manhã chegando
You've been left on your own Você foi abandonado
Like a rainbow in the dark Como um arco-íris no escuro
Just a rainbow in the dark Só um arco-íris no escuro
When there's lightning, you know it always brings me down Quando há um raio, sabe, isso sempre me deixa pra baixo
'Cause it's free and I see that it's me Por que ele é livre e eu vejo que sou eu
Who's lost and never found Que estou perdido e nunca encontrado


When there's lightning, you know it always brings me down Quando há um raio, sabe, isso sempre me deixa pra baixo
'Cause it's free and I see that it's me Por que ele é livre e eu vejo que sou eu
Who's lost and never found Que estou perdido e nunca encontrado
Feel the magic, I feel it floating in the air Sinta a magia, Eu a sinto flutando pelo ar
But it's fear, and you'll hear Mas há medo, e você a escutará
It calling you. Beware! Te chamando. Cuidado!


There's no sight of the morning coming Não há sinal da manhã chegando
There's no sight of the day Não há sinal do dia
You've been left on your own Você foi abandonado
Like a rainbow Como um arco-íris
Like a rainbow in the dark, yeah! Como um arco-íris nbo escuro, yeah!
Like a rainbow in the dark Como um arco-íris nbo escuro
Just a rainbow in the dark Só um arco-íris no escuro
There's no sight of the morning Não há sinal da manhã
You're a rainbow in the dark Você é um arco-íris no escuro

 

Source:  LyricFind
Songwriters: Jimmy Bain / Ronnie James Dio / Vincent Appice / Vivian Patrick Campbell
Rainbow in the Dark lyrics © BMG Rights Management, Duchamp, Inc, Universal Music Publishing Group, Vincent Appice D/B/A Appice Music


Resenha:

Eu sempre me perguntei o que seria esse "Arco-íris no escuro". Pode parecer besteira, mas meu pensamento quase literal tinha uma dificuldade em entender essa letra a fundo. Até que parei para analisar...

Um arco-íris é algo raro. Requer condições específicas para acontecer, como a luz do sol passando pelas gotas d'água e o observador estar em um local que o permita ver esse espetáculo. Entendo que o que o Dio quer dizer com o termo "arco-íris no escuro" ("Rainbow in the dark") é algo como uma beleza, uma preciosidade que é perdida por não poder ser vista, por estar num local errado. E é nesse sentido que me identifiquei tanto com a música. 

Logo no começo ele busca demonstrar que a luz do raio é livre e, por isso, nos deixa mal, pra baixo: Por que ela joga na cara que é ele (ou eu?) que está perdido e nunca encontrado ("Lost and never found'). Note que há um observador. Há alguém que talvez estivesse buscando esse eu perdido, mas que nunca o encontrou. Como um talento nunca revelado, nunca visto, nunca liberado.  

Há um grito pelo sobrenatural - a magia! ("I cry out for magic..."), e ela é real! o Eu da música a sente na luz, mas ela é fria ("it was cold") e apesar de conseguir pegá-la, ele a perde ("lost my hold'), e ela se perde nas sombras da noite ("... to the shadows of the night"), reforçando a ideia de que mesmo com o apoio sobrenatural, nem assim esse talento oculto, essa força, esse aspecto que poderia ser grande, como um arco-íris, não consegue ver o nascer do dia ("no sign of the morning coming"), ou seja, não consegue sair para luz, florescer, brotar, germinar!

E ele segue falando dos demônios de cada um, aqueles que nunca te deixam ("Do your demons, do they ever let you go?). E será que quando tentamos nos libertar deles, o que eles fazem não é se esconder de nós ("When you've tried, do they hide, deep inside") nos cantos mais obscuros de nós mesmos? E a parte que mais me assusta: seria alguém que você conhece? ("Is it someone that you know?") E por que me assusta? Simplesmente por que pode ser qualquer um. Nossos ardilosos demônios podem vir de nós ou de alguém. Algum conhecido que plantou essa semente pérfida em nosso coração e lá está. E nós nos tornamos nada mais que uma imagem, algo preso no tempo ("You're just a picture, you're an image caught in time"), naquele tempo que aquela semente foi plantada e nunca mais retirada. Nos tornamos uma mentira ("We're a lie, you and I"), algo sem valor, fingido, como palavras que não encaixam, não rimam ("We're words without a rhyme").

A metáfora é simples, no sentido de que a mensagem é clara. Ela fala de um eu-lírico que por suas fraquesas e receios, por seus medos e pelo efeito negativo de influências de outras pessoas, não consegue trazer para a luz o seu brilho, não consegue mostrar seu arco-íris para o mundo pois está na escuridão. Eu iria além: Ele não consegue nem saber a extensão de sua luz, de sua força, de sua aptidão rara, pois ele se vê como um arco-íris na escuridão talvez pelo próprio medo de que for para a luz, ele nem seja tão especial assim.

O melhor da música, na minha opinião, é o final. Ele não é cheio de esperança, dando uma mão ou ajuda para ir para a luz; não há um direcionamento ou uma oferta de caminho; não há consolo. Apenas a fria e dura realidade de que não há sinal da manhã ("No sigh of the morning coming"), pois você é o arco-íris na escuridão ("You're a rainbow in the dark").

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Deixar de existir

Às vezes eu desejo não existir.
Não, não desejo simplesmente morrer, 
apesar dessa ideia também apetecer.
Mas não... não é sobre partir.

Não. Não é disso que eu estou falando. Eu me refiro a algo mais profundo. Cessar a dor sim, mas principalmente cessar a sensação de estar errado, de ser um fardo, de não entender, de não me entender, de não te entender, de não saber viver.

Essa existência que parece inútil... Não! Que É inútil. E tudo sempre dói. Uma dor intensa, corrosiva, que faz a luta ser sempre inglória, desgastante, degenerante. E ela, a dor, companheira constante, nunca some. 

Tudo parte, tudo abandona,
Exceto a dor, essa vil degenerada,
Essa companheira insana,
Que fica e machuca, quando não há mais nada.

Quando todos os sentimentos parecem errados, deslocados, só a apatia, a falta de vontade, persiste. Apatia a tudo, até mesmo à dor que ficou... Não, ela não cessa, mas perde seu sentido. A ausência de tudo, é verdadeira companheira. Ela e meu cigarro. Sempre aqui. 

A apatia é uma forma de defesa, eu sei. Quando não há emoção confiável, quando não há coerência na vida, quando a morte não vem para terminar com essa brincadeira de mau gosto - a vida, nossa mente nos protege dizendo para si mesma que ela não está errada e sim o mundo. E se vivemos num mundo errado, então para que se importar?

Como pode?
Algo tão supervalorizado como a vida
nos fazer de escravos, de joguete, como pode?
seguirmos existindo é uma piada.

Depois de viver desilusão, traição, descrença, perfídia, enganos, tragédia, vergonha, desavença, crise, etc, etc, etc, não parece que investir em alguma emoção seja válido. E se o mundo é feito de podridão, para que seguir existindo?

É nesse sentido que deixar de existir parece uma boa ideia. Não é original, eu sei, e pode parecer cruel, mesquinha, vil. Mas também parece ser uma ideia pragmática e até medicinal. Ao invés de lutar indefinidamente tentando tirar a doença do hospedeiro, mata-se o ambiente da doença, o próprio hospedeiro!

Se sempre a mosca retorna para  o lixo - seu alimento, retiremos o alimento e não há mais mosca!

Combinemos o seguinte:
Desisto!
Desisto de tudo. 
Sempre que tento acertar,
mais errar eu faço.

Sempre que tento viver, me libertar,
mais percebo que sou escravo,
menos de mim consigo liberar.
Sou a sobra, a linha sem relevo.

Discussões que geram abandono, mágoas que geram abandono, descobertas que geram mais e mais abandono. Se entender é somente saber que existe um motivo pelo qual o ridículo se abriga em você. Só. De descobrir é perceber que existe sim uma explicação, mas ela não importa pois é com você! Você sabe que nada que faça será entendido, compreendido, aceito ou escutado. Nada. E quando há o confronto, abandono; quando há a tentativa, abandono; quando há nova prática, ideia ou aceno,

ABANDONO,
ABANDONo,
ABANDOn ,
ABANDo ,
ABANd ,
ABAn ,
ABa ,
Ab ,
a
.

Mas se o abandono é a única saída, qual o sentido da existência em si?

terça-feira, 30 de maio de 2023

Queria ser

 Às vezes eu penso que gostaria de ser outra pessoa. Outro alguém, outro ser, outra sorte de coisa, outro tipo qualquer. Não um super herói, nem um vilão, não um lutador ou um rock star. Somente outro alguém que não fosse eu. Alguém que não tivesse nascido com essas coisas todas dentro de mim. Um outro, com outras... coisas. Queria não sentir tanto, não fazer tanta besteira, não esbarrar tanto nas coisas, não parar antes de concluir, não deixar de começar aquilo que nem sei se seria melhor ou pior. Somente... outra pessoa.

Queria não ter nascido assim, não ter me tornado assaz, não ter deixado que a vida fizesse tudo o que fez de mim. Queria não ter deixado de notar tanta coisa, queria não ter guardado tanta coisa dentro e não ter deixado tantas outras sair.

Queria não ser tão ansioso também. Queria que a angústia de coisas que nem sem onde estão ou como são não me consumisse vez que outra. Queria também que a solidão não se apresentasse como a sereia, que a obrigação não fosse enfadonha como o arrastar moroso da lesma, e que a esperança fosse mais "ouro" e menos "tolo".

Ah, também ia ser tão legal não ser tão facilmente "frustrável", repetidamente "traível", jocosamente "risível" e ridiculamente "caçoavel". Quisera não ser uma piada. e também que eu não me sentisse como uma. Queria conseguir me levar a sério. Queria que o que creio fosse realidade, queria tocar a eternidade, vislumbrar o infinito, olhar para o abismo do Frederico e ver mais que ele olhando de volta para mim.

Também queria que comida não fosse tão saborosa. Tá... não queria não... comer é bom. Mas podia não ser tão atraente, né... Acho que queria poder apreciar o mundo sem vergonha, queria conseguir controlar meus gastos e poupar. Queria não me viciar tão facilmente, não me apegar tão facilmente e não amar tão profundamente. Não. Essa parte também não é verdade. Eu gosto de amar como amo.

Acho que o que eu gostaria mesmo era de não ser tão quebrado. Queria que nenhum anjo safado de nenhum Chico tivesse vindo cruzar meu caminho. Queria não transpirar tanto. Não passar mal com bebida e poder comer o que eu quisesse. Também gostaria de não me cobrar tanto. Às vezes compito com meus credores para ver quem me cobra mais e eles não chegam nem perto. Nos 300 últimos campeonatos só teve uma vez que alguém quase empatou e foi meu contador quando precisei completar os documentos para abrir minha empresa. Tenho os e-mails guardados até hoje...

Mas, enfim... queria não ser esse monte de coisas. E queria ser tantas outras, mas tantas que talvez por isso tem esse monte de tranqueiras em mim.