sexta-feira, 11 de março de 2016

Contigo quero estar!




Eres da luz a semente
E tua face resplandece
O brilho que a ti pertence
Tua força enaltece
Mas não fazes de mim temente
Nem ofusca o teu raiar
Uma certeza me trazes somente:
De contigo querer estar

Eres da pira, fogo potente
Que de calor envaidece
E teu ardor incandescente
A tudo que toca aquece
Mas não vagas erroneamente
Tampouco teimas em queimar
Uma certeza me trazes somente:
De contigo querer ficar

Eres brisa que, suavemente
Refresca e enternece
E teu soprar, irremediavelmente
Em tal momento esmaece
Mas não se vai tristemente
E nem esquecida poderia ficar
Uma certeza me trazes somente:
De contigo querer estar

Tal é tua força, naturalmente
Que prende em querer arrastar
Mas de tudo, fica somente,
que contigo eu quero estar.


segunda-feira, 7 de março de 2016

Caminho...



Ao caminhar pelo mundo demente,
Entre desterros e forças contrárias,
Eu descobri o saber entre párias
E que a vida ensina por sempre.

Vivi verões gloriosos e quentes.
Invernos pálidos, secos, gelados.
E encontrei o saber encrustrado.
Em cada época, era, e tempo.

Eu vi a força de ventos e mares,
Subi montanhas, desci em cavernas.
Fui a locais, respirei outros ares.

Amei e fui desejado, é certo,
Eu vivi, eu aprendi, eu fui sábio!
Somente para um dia perecer...


sexta-feira, 4 de março de 2016

Quanto custa?



O menino chega na banca de jornal e pergunta, apontando para a barra de chocolate:

- Quanto custa?

- Três reais. - responde o jornaleiro. O garotinho olha para as moedas na mão.

- Tó! - Diz entregando três moedas de cinquenta centavos ao vendedor.

- Aí não tem três reais.

- Tem sim!

- Não. Aí tem um e cinquenta.

- Mas tem três moedas…

- Só que são três moedas de cinquenta centavos, menino. Não sabe fazer conta não?

O menino fica zangado. Aponta para um pacotinho de balas.

- Quanto custa?

- Dois.

O menino fica pensativo.

- Faz por três moedas de cinquenta?

- Não.

- Ah faz, vai…

- O menino, não é não!

O rapazinho abaixa a cabeça e aperta as moedas na mão. Aponta para um outro pacotinho de balas.

- Quanto custa?

O jornaleiro respira fundo.

- Dois e cinquenta.

- Faz mais barato?

- Menino, não! Com um e cinquenta te vendo dez balas dessas aqui. - E aponta com o dedo.

- Nossa, tá caro, né?

- É.

- Vende quinze?

- Não. Vendo dez.

- Mas tá muito caro. O que mais você vende?

O jornaleiro dá o troco a uma senhora que pagava por sua revista e em seguida diz:

- Que dá para você comprar com essas moedas?

- Claro, né?

Olhando bravo, o jornaleiro diz:

- Só as balas.

- Mas… só aquelas? - E aponta.

- Sim. dez delas. Vai querer?

- Faz doze?

- Dez, menino.

O menino para e pensa. Vê então o pacotinho de figurinhas do brasileirão. Aponta.

- Quanto custa?

- Dois e cinquenta moleque.

- Não dá pra levar um pacotinho, né?

- Não menino, não dá.

O menino pensa novamente, olha as balas… Olha as figurinhas e tem uma ideia.

- O senhor me empresta um real?

- Mas menino, claro que não!

Abaixa a cabeça novamente. Fica pensando. Olha novamente para a barrinha de chocolate. Aponta.

- Quanto custa mesmo?

O jornaleiro respira fundo.

- Três reais, moleque.

O menino olha as moedas, sacode os bolsos, mas nada…

- Posso ficar devendo?

- Não.

- E por que?

- Não faço fiado.

O menino dá de ombros. Mostra a mão com as moedas para o jornaleiro.

- Tó.

- Vai levar as balas?

- Vou.

O jornaleiro separa dez balas no balcão.

- Pode pegar.

O menino pega cinco em uma mão e cinco em outra.

- Obrigado. - O menino diz e sai da banca. Na frente está um menino, de rua. Pedinte.

- Dá uma bala aí. - Ele diz para o menino. Ele olha para uma mão, olha para outra e aponta com uma mão para o menino de rua.

- Tó.

Abre a mão e solta as balas na mão do menino. Guarda as outras no bolso e sai andando para um lado. O menino de rua pega uma para chupar e guarda as outras.

- Valeu mano!

O jornaleiro sorri e guarda as moedas.